Após 100 anos de relações diplomáticas, completadas em 2006, Honduras terá hoje a primeira visita de um governante brasileiro. Em uma viagem de menos de 12 horas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne-se com o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, e participa de um encontro empresarial no país. Além de cooperação na área de biocombustível, deverão ser discutidos acordos sobre estabelecimento de banco de leite humano, sistemas de saúde pública e aumento de intercâmbio comercial. O governo brasileiro deverá também doar medicamentos para tratamento de aids.
“Esse é um momento muito importante nas relações dos dois países. Apesar de não ser longa, será uma visita muita densa em termos de contato e agenda do presidente aqui”, ressaltou o embaixador do Brasil em Honduras, José Roberto de Almeida Pinto.
Ao meio-dia, Zelaya oferece um almoço no palácio presidencial. À tarde, Lula tem encontro com a comunidade brasileira em Honduras, no Hotel Marriot. Logo depois, participa de cerimônia de encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Honduras.
Exportações
Em 2006, as exportações brasileiras para Honduras totalizaram US$ 140,6 milhões, praticamente três vezes mais do que há quatro anos, quando o valor era de US$ 47,9 milhões. “É claro que isso é muito pouco, US$ 140 milhões, em termos do comércio geral brasileiro. Mas, quando se tem esse aumento em quatro anos, é significativo nas relações bilaterais”, avaliou o diretor do Departamento do México, da América Central e do Caribe do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Gonçalo Mourão.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o superávit brasileiro no intercâmbio comercial com Honduras foi de US$ 138,1 milhões. Honduras tem cerca de 7,5 milhões de habitantes e quase 75% da população está em situação de pobreza, segundo estimativas de 2003 da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal).
“O país é pobre. Até como parte das negociações de alívio de dívida junto com a comunidade internacional, Honduras foi classificado pelo Banco Mundial e FMI (o Fundo Monetário Internacional) naquele esquema de países pobres, altamente endividados”, afirmou Almeida Pinto. Apesar disso, ele ressaltou que o país tem experimentado um crescimento constante nos últimos anos.
Segundo o embaixador, o governo de Honduras espera o presidente Lula em um clima de gratidão pelo Brasil ter atuado no perdão da dívida do país junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
“O Brasil, em acordo com os demais países da instituição, desempenhou um papel de muita importância, que é objeto de gratidão pelo governo hondurenho. Isso é o que eu ouço nos contatos com os interlocutores do governo local”, destacou.
Segundo estimativas da embaixada, cerca de 450 brasileiros vivem em Honduras. O país é a segunda parada do presidente Lula na viagem que segue até sexta-feira a quatro países da América Central e ao México. Ontem Lula esteve com o presidente mexicano, Felipe Calderón.
No fim da tarde, o presidente viaja para Manágua, na Nicarágua. Ainda hoje, Lula será homenageado com um jantar pelo presidente nicaraguense, Daniel Ortega, no Hotel Crowne Plaza.